Um passarinho desses, que vendem em loja como bichinho de estimação, pousou outro dia no parapeito da minha janela. Eu, que não o tinha visto, escutei seu pio e piei de volta.
Fiu-fiiiu
Achei ser um desses passarinhos de rua, como o que já resgatei uma vez. Mas a curiosidade de quem não tem asas se pôs a olhar para fora, esperando encontrar o dono do pio.
Piu.
O susto me veio ao ver aquele bichinho, com cara de novinho, perdido diante do mundo.
Piu.
Muito nervosa, imaginei ter escapado de alguma gaiola e, por sorte, ao invés de se espatifar no chão, caiu aqui do meu lado com o seu pio.
Piu.
E como quem conhece muito pouco a liberdade, ou talvez só a conheça na lógica e nas argumentações, resolvi resgatar o passarinho de se estrebuchar no chão. Abri bem devagarinho o lado da janela em que ele não estava. E por pensar que era novinho e de que só entendia de gaiola, imaginei que não fosse se assustar, para que eu pudesse pega-lo e dele, cuidar. Mas o pouco de movimento de janela o fez dar um passinho: meu coração veio à boca, achando ser a responsável por passarinho achatado no chão.
Tum-tum. TUM.
Ao invés disso, ele abriu as asinhas e para surpresa de quem não voa, ele foi pousar na árvore mais alta, logo depois de se encontrar no ar com um igualzinho.
Piu + Piu
E enquanto sentia minha mão tremer, entendi pela primeira vez, sem a lógica e a argumentação, que antes de ser um bichinho de estimação, um passarinho é passarinho.
Fiu-fiiiu
Coisas que só quem tem asas saberia me explicar.