Fotografar por vezes

me é exercício  de brotar nos olhos poesia,

achar um ângulo do concreto não-cego.

E sempre que me deparo com fotos da vó, ouço a gargalhada,

grudo os olhos na pele a procura das ruginhas

gostosas de fazer carinho na mão de tantos gestos.

A alegria de ser jovem talvez more na eternidade da memória

enraizada na finitude do jardim dos sentidos.

Tenho um tanto sido tocada pelos guardados da minha meninice…

um girassol cresce na barriga das minhas fotografias

- leva minha sementinha contigo.