Andei vendo corpos esquartejados

Mas eles tinham a coragem de se sustentar

A perna de um era usada por outro

E vi quem emprestasse os olhos,

o coração.

Foram os corpos esquartejados mais tristes e bonitos que vi.

O mundo anda em guerra.

Anda, não?

E na dúvida de carregarem o fuzil ou o companheiro abatido,

há quem se jogue no chão,

há quem não consiga mais se levantar.

Entre o fuzil e o companheiro,

eles cavam, as unhas se enchem de terra,

as larvas sobem pelos braços,

enquanto procuram os sonhos enterrados em covas.

Os corpos esquartejados estão em todos lugares.

Os que se sustentam, os que desistem, os que se põem a cavar.