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O homem de camiseta azul e sapato social está sentado agarrado à mochila. A disposição dos braços sobre o ítem reflete mais uma reação natural de segurar pertences no transporte público, do que qualquer apego ao objeto físico.

 

- É o que se perde em seus olhos que não quer ser perdido.  Não lhe interessa de fato os furtos.

 

Nos olhos tudo fica, abstratamente, mais concreto. Ele encosta a cabeça na janela. E as duas imensidões vermelhas se contrastam com o cabelo recém cortado e a barba bem feita.

 

- Nos olhos todas as cores são resignificadas e os significados são repintados.

 

 (E eu imagino)

O homem se levanta e deixa tombar por entre os braços a mochila. O objeto fica inerte no chão e ele salta do vagão como quem deixa algo pra suportar uma perda maior.  Como a criança que aperta a mão enquanto leva uma anestesia no dentista:

pronto já podemos obturar o dente!

O bosque que refugiei meus sonhos algumas vezes,

é o lugar que me acolhe.

É onde as fadas me visitam

e as abelhas já respeitaram meu cansaço

ou mesmo minha tristeza.

Construíram lá um teatro de arena,

onde os bichos fazem algazarra

e barulheira.

E, talvez porque um me lembrou o seu Camêlo,

tentei entender o homem do deserto que procura.

Foi assim que o adjetivei,

uma mistura de aprendiz do Pequeno Príncipe,

com o cactus que o amor retém

e de onde germinam flores violetas.

Vou te dizer:

não sei se é esse que busca,

mas foi esse que lhe desejei.

Duas irmãs. Duas gerações. Incontáveis possibilidades de escolhas para escrever o caminho. Uma parceria para contrariar os limites e resguardar os sonhos.

 

Agosto 2008
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