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O homem de camiseta azul e sapato social está sentado agarrado à mochila. A disposição dos braços sobre o ítem reflete mais uma reação natural de segurar pertences no transporte público, do que qualquer apego ao objeto físico.
- É o que se perde em seus olhos que não quer ser perdido. Não lhe interessa de fato os furtos.
Nos olhos tudo fica, abstratamente, mais concreto. Ele encosta a cabeça na janela. E as duas imensidões vermelhas se contrastam com o cabelo recém cortado e a barba bem feita.
- Nos olhos todas as cores são resignificadas e os significados são repintados.
(E eu imagino)
O homem se levanta e deixa tombar por entre os braços a mochila. O objeto fica inerte no chão e ele salta do vagão como quem deixa algo pra suportar uma perda maior. Como a criança que aperta a mão enquanto leva uma anestesia no dentista:
pronto já podemos obturar o dente!
O bosque que refugiei meus sonhos algumas vezes,
é o lugar que me acolhe.
É onde as fadas me visitam
e as abelhas já respeitaram meu cansaço
ou mesmo minha tristeza.
Construíram lá um teatro de arena,
onde os bichos fazem algazarra
e barulheira.
E, talvez porque um me lembrou o seu Camêlo,
tentei entender o homem do deserto que procura.
Foi assim que o adjetivei,
uma mistura de aprendiz do Pequeno Príncipe,
com o cactus que o amor retém
e de onde germinam flores violetas.
Vou te dizer:
não sei se é esse que busca,
mas foi esse que lhe desejei.
