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Não sou nada sem silêncio, não há nada mais genuíno na minha troca com o mundo do que o falar silenciosamente.

Eu o reparei. Como reparo à todos. Mas só ele me fez calar, quando mais quis gritar. Sacudiu dentro de mim todos os sentidos. Expirei sentimento e me fiz do vazio que medito em palavras. Eu quis talhar farpas, para ter o que palavrear, mas não encontrei uma fala sequer no meu sentir. Emudeci, porque amei durante algumas horas o amor que nunca sonhei. Quando passou, chorei. Amor ao vento. Se perdeu.

E foi a palavra que me salvou, cantada em samba, cantada em bossa, cantada à dois com um violão… e cá estou, síndrome boa de música… onde o tempo é marcado pela ausência de som.

Não sou nada sem palavra, não há coisa mais genuína em minha condução que esse amor liberto nessa coisa palavra. Mas, céus!, como já lhes talhei farpas… porque nada me fere mais que espinhos às minhas palavras. Mas, haja céus!, de que me servem pronomes possessivos?: ilusões fadadas…

Encroei palavras. Ausência de beleza faz coragem virar bicho temeroso. Mas, vixe!, aonde está a ausência de beleza que não nos próprios olhos? E que são os olhos se não um espelho da alma?

Precisei drenar lama. Primeiro o fígado, depois estômago, intestino e até útero… Mas, veja, foi um pulmão espremido que me levou a escoar lamas espinhudas do peito. Não há ilusão mais gordurenta que o medo, que é tristeza de si consigo mesmo.

E foi amor quem salvou, mas amor impalavreável… e cá estou, síndrome boa de lótus… plantada feito a palavra amor sem pauta.

É digno daqueles que temem a si mesmos serem fracos e levianos.

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Estou triste. O pior sonho que falece é aquele sobre o outro que morre lentamente no silêncio da ausência, talvez, não, muito mais. Morre lentamente os que se abstêm de brigar na luta pelo outro com o próprio outro.

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Ela teve uma vontade imensa de lhe jogar um sapato na cabeça. Só para ver se assim falava alguma coisa, um “ai”, um “puta-merda”, qualquer coisa. Nas últimas semanas em que se falaram a relação estava gasta. Ela senta na calçada e resmunga ter sempre que fazer suas vontades. Odeia doces. E ele aparece sempre com as mãos cheias deles. Tinha tantas novidades a contar. Talvez quando se vire e olhe para trás, ela já tenha viajado.

Duas irmãs. Duas gerações. Incontáveis possibilidades de escolhas para escrever o caminho. Uma parceria para contrariar os limites e resguardar os sonhos.

 

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