Esperando no ponto de ônibus com o guarda-chuva aberto, observava a garoa através da iluminação do poste. Esteve hipnotizada por alguns segundos. A chuva caía mansa. Como se de fato não estivesse ali. E recordou todas as enchentes, os pingos grossos, a violência da chuva que passa. Passaria a noite debaixo daquele poste assistindo ao balé de chuva e vento no ar. O dia foi bom. E nem o corpo estava cansado.
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Na casa vazia, a porta vira janela, nada mais sai, nada mais entra. O cadeado foi trancado por fora e o homem que vive lá dentro hoje só respira poeira e mofo. As crianças da rua o chamam de louco. As mulheres da vila lhe doam preces de pena. Ninguém sabe do que vive, do que come. Nem os ratos mais entram através dos buracos. A polícia local não sabe o que faz. O homem perdeu-se faz tempo e todos os dias espreita pelo vidro.
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Penso em abrir um espaço só meu aqui nessa virtualidade.

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