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A beleza das bolhas de sabão está na alegria da criança
de vê-las sugir e estourá-las. Estouremos bolhas,
há uma sinfonia linda lá fora te convidando a participar.
Cada acorde tentado, cada improviso, cada desafino atrás do ritmo
é melhor que uma grande e genial bolha que a qualquer instante pode estourar:
porque as coisas bobas são as simples, e nas simples o exercício da vida,
como o ensaio de uma grande orquestra. O tempo do aprender o estar em si
é a sustentável leveza. O tempo do peso não rege ali. Um bom maestro
é cheio de grandes e pequenas alegrias simples, de delicadezas, de respeitos,
ele sabe: a música vem do confluir das essências, e cada um tem o seu tempo
de ser feliz em seu instrumento e vibrar como conjunto.
Não há desemprego nem rotina no tom do amor.
Enquanto uma memória for triste: ela ainda não é inteiramente memória.
Memórias são para os arquivos, não para o tempo presente.
Passei meu tempo de carro branco amando os caminhos do vinho
simplesmente porque no branco tudo era tingido de desamor
e eu era presa ao tempo em que achava que era livre:
cultivei no branco o vinho e no vinho a mentira,
embora no vinho, no vôo cego, tenha melhor tentado ser feliz
e o branco era assobio de fins de ciclos, que eu tentei fugir.
- Desapegue-se das memórias, são armadilhas para o não-seguir.
Hoje em meu carro preto me tateio arco-íris,
nele sou simples, e encontro um par em mim:
a porta do carona só verdadeiramente se abre quando a do motorista está completa,
e não há tristeza em vôos solos, são pequenas mortes, pequenas alforrias
que nos ensinam o livre: a alegria é estar na estrada, ser a estrada, compor a estrada:
a memória jamais servirá de carro.
Quando quiser vir comigo, vem no meu arco-íris. Tem caminhos infinitos até o mar.
