Enquanto uma memória for triste: ela ainda não é inteiramente memória.

Memórias são para os arquivos, não para o tempo presente.

Passei meu tempo de carro branco amando os caminhos do vinho

simplesmente porque no branco tudo era tingido de desamor

e eu era presa ao tempo em que achava que era livre:

cultivei no branco o vinho e no vinho a mentira,

embora no vinho, no vôo cego, tenha melhor tentado ser feliz

e o branco era assobio de fins de ciclos, que eu tentei fugir.

- Desapegue-se das memórias, são armadilhas para o não-seguir.

Hoje em meu carro preto me tateio arco-íris,

nele sou simples, e encontro um par em mim:

a porta do carona só verdadeiramente se abre quando a do motorista está completa,

e não há tristeza em vôos solos, são pequenas mortes, pequenas alforrias

que nos ensinam o livre: a alegria é estar na estrada, ser a estrada, compor a estrada:

a memória jamais servirá de carro.

Quando quiser vir comigo, vem no meu arco-íris. Tem caminhos infinitos até o mar.